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Pesca ao corrico na
Foz do Arelho.
A
lagoa de Óbidos.
A Foz do Arelho é uma
localidade que fica junto ao mar, na margem Norte da lagoa de
Óbidos e a cerca de 8 Km das Caldas da Rainha. O areal da
praia da Foz do Arelho estende-se entre a “aberta” da
lagoa de Óbidos (canal de ligação da lagoa com o mar) e o
início da Serra do Bouro (zona rochosa a norte).
Na margem sul da lagoa de Óbidos, também junto ao mar, fica
a aldeia do Bom Sucesso. A partir desta localidade estende-se,
para Sul, um areal com mais de dez quilómetros até ao Baleal,
já próximo de Peniche.
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Sendo a lagoa de Óbidos, a
maior lagoa de água salgada da Europa, logo se percebe
da sua importância para a desova, reprodução e
alimentação de várias espécies piscícolas da nossa
costa (entre as quais se destacam o robalo, a dourada,
linguado e enguia).
Para além da grande diversidade de moluscos bivalves
(berbigão, amêijoa, lingueirão e mexilhão) que
habitam na lagoa de Óbidos, esta é também rica em
vermes anelídeos (casulo, “grilo” e minhoca da
lagoa) e moluscos (chocos, por exemplo). Esta abundância
de alimentação constitui um factor importante para a fácil
reprodução e crescimento de robalos, douradas e outras
espécies na lagoa.
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.Não obstante, tem-se assistido
nos últimos anos à degradação do frágil equilíbrio
natural desta lagoa, constantemente ameaçado pela pressão
urbana e, de um modo especial, pelo assoreamento da barra de
que resulta a eutrofização (proliferação de algas que
consomem o oxigénio da água) e pela poluição do rio Arelho
causada pelas descargas da indústria pecuária e pelos
pesticidas e fertilizantes utilizados na agricultura (que têm
também ajudado muito ao processo de eutrofização acima
referido pois os fosfatos contribuem para o acelerado crescimento
das algas).
De ano para ano tem-se notado um
decréscimo considerável das capturas de robalos (não só
devido à poluição e assoreamento da lagoa, mas também ao
aumento da pressão de pesca não selectiva), mas apesar
disso, muitos são os pescadores que costumam frequentemente
tentar a sua sorte ao corrico.
Convém, pois, que face à situação de ruptura, sejam
devolvidos à água todas as espécies que não tenham as
medidas mínimas legais, optando-se assim por uma pesca
selectiva e consciente.
O
Corrico
A época alta da
pesca ao corrico do robalo na Foz do Arelho, costuma ser em
Abril/Maio e Setembro/Outubro, ocorrendo também a pesca de
grandes exemplares entre Janeiro e Março, no período da
desova. Especialmente durante o final do Verão, muitos são
os pescadores que todos os anos lá vão passar férias e
matar saudades dos amigos e da pesca.
O corrico consiste no lançamento sistemático de uma amostra
artificial e no recolher de forma continuada da mesma, que faz
com que a amostra “trabalhe”, isto é, faz com que ela
produza um movimento análogo ao de um peixe vivo e que atraí
o robalo. Esta
técnica de pesca apenas funciona com espécies piscícolas
predadoras, de que são exemplos mais frequentes na nossa
costa, o robalo, a baila e a anchova (e, por vezes, uns
agulhas que pagam caro a sua curiosidade).

Pipo de bicicleta. |
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Outras amostras usadas na
Foz.
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A amostra por excelência usada
para pescar dentro da lagoa ou no canal de ligação desta ao
mar é o chamado “pipo de bicicleta” ou “chico fininho”
. Esta amostra, de fabrico manual e cor amarelada (a tender
para o castanho), procura imitar a “angula” (enguia
miúda) que todos os anos chega a estas paragens depois de uma
longa migração desde o mar dos Sargaços, onde nascem. A
enguia é uma espécie bastante abundante na lagoa de Óbidos,
sendo as mais jovens umas das presas mais apreciadas pelo
robalo. O tamanho usado para estas amostras situa-se entre os
6 a 8 cm. O
principal aspecto a focar do “pipo de bicicleta” é a sua
cauda com uma amplitude de cerca de 45º em relação ao
corpo. Esta cauda curva dá ao “pipo” um trabalhar estilo
ventoinha dentro de água. Este rodopiar constante produz
bastantes vibrações na água que serão um dos factores
importantes para chamar a atenção do robalo à sua presa
(não esquecendo que as águas propagam o som bastante melhor
que o ar).
Quando se pesca directamente na ondulação do mar (que fica
junto à “aberta”) já é habitual usarem-se amostras (“raglou”,
“red gill”, etc) que imitam peixe miúdo (petinga,
biqueirão, etc) e costumam variar em tamanho entre os 8 e os
12 cm. A cor mais usada é o branco/verde (verde na parte
dorsal e branco na barriga), verde fluorescente e branco/rosa.
As “storms” ou “rapalas” que imitam peixes (a mais
famosa é a “storm” que imita uma petinga, de cor azul e
cinzento metalizado, muito reflectora) são mais usadas à
noite.
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Geralmente, a pesca ao corrico
faz-se durante a maré vazia, por forma a aproveitar a
forte corrente que entra mar adentro. As últimas horas
da vazante, primeiras da enchente, costumam ser as que
melhores resultados dão, pois costuma ser o momento
ideal para o peixe entrar na lagoa. O início da vazante
costuma também ser bom.
Por
vezes, quando a “aberta” corre com força e a
direito pelo mar adentro e quando a corrente da lagoa não
trás muitas algas é costume “dar-se linha” (deixar
que a corrente leve a amostra mar fora), não sendo raro
esgotar a linha do carreto. Quanto mais “dentro do
mar” estivermos, maior a probabilidade de apanharmos
um robalo grande.
O mar que considero ideal para o robalo é um mar nem
demasiado forte nem demasiado manso.
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O mar ideal para corricar ao
Robalo.
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Convém ter uma ondulação
certa, ou seja, a espaços regulares, não muito alta, e que
deixe um “rasto” de espuma branca quando passa a onda,
sinal de que a água está bem oxigenada. Por cima de bancos
de areia recém formados, para além de ser habitual haver
ondulação com águas bem oxigenadas, ocorre também o depósito
de areias novas com muita comedia vinda da lagoa (ou propícias
ao seu aparecimento), sendo por isso um local predilecto para
a pesca do corrico.
O
Equipamento.
O material para o corrico convém
ser o mais leve possível (dado que passamos muito tempo com o
equipamento na mão) e o carreto muito resistente (para puxar
constantemente uma chumbada contra a corrente e, por vezes,
com lixo agarrado). As canas usadas costumam ter entre 4 a 5
metros, dependendo da altura do ano em que se pesca e do local
(dentro da lagoa ou no mar). No inverno e no mar, convém usar
canas maiores porque é necessário lançar mais longe e com
mais peso.
O uso de fios de multifilamentos
(fibras) para o carreto começa a ser cada vez mais comum,
pois permite usar diâmetros mais curtos para a mesma resistência
dos fios de nylon, o que contribui para lançamentos mais
longos. Por outro lado, este tipo de fios evita melhor que as
algas se fixem neles (são mais cortantes e finos).
Na Foz do Arelho costuma usar-se, na maior parte das vezes,
uma chumbada entre 60 e 100 gramas (dependendo do estado mar)
para lançar a amostra e um “estralho” (fio de ligação
da amostra à linha mestra do carreto) com cerca de 3,5 metros
(quanto maior a cana, maior o estralho que se pode usar). Em
certas situações, tem que se recorrer à bóia de água em
vez da chumbada para apanhar robalos (quando eles andam muito
à superfície). Pode-se, também, considerar a utilização
da bombetes semi afundantes, pois evoluem em meia água e são
mais facilmente arrastadas por correntes mais fracas (com
mares batidos desaconselha-se o seu uso, pois retornam
rapidamente até à beira-mar por acção da forte ondulação).
Um substituto muito usado na Foz do Arelho (para as bóias de
água da “Buldo” e para as bombetes) é o famoso frasco de
cola “pica-pau” (em plástico branco) com água e areia no
interior para afundar (além de um cordel com destorcedor
duplo na tampa para prender a amostra e a linha mestra do
carreto). Torna-se uma solução simples, eficaz e económica.
No final da linha mestra do carreto pode-se colocar um
destorcedor duplo com um clip para encalce rápido da chumbada
ou da bóia de água. Prende-se depois o estralho ao segundo
destorcedor que gira em torno do primeiro (onde se fixa o clip
de encalce da chumbada). Alternativamente, pode-se construir
um sistema com missangas e um destorcedor simples no meio (ver
foto nº3 sff). Estes sistemas evitam que o “estralho”
fique embaraçado, situação esta que pode impedir o correcto
funcionamento da amostra.
Para além deste equipamento, é
essencial ter uns botins de pesca que cheguem ao peito
ou um fato de surf ou de mergulho, pois muitas vezes é
necessário pescar dentro de água (perto da ondulação)
ou atravessar para bancos de areia mais dentro do mar.
Neste caso, é imprescindível estar sempre muito atento
à ondulação do mar e ás correntes da lagoa, para
evitar sermos derrubados.
Em suma, o
corrico na Foz do Arelho (e noutras rias, estuários e
lagoas deste nosso Portugal) é uma pesca adequada a
quem gosta de estar “dentro” do mar, sentir a ondulação
por vezes até ao peito, andar à procura do peixe e
atravessar para bancos de areia isolados onde o homem se
envolve com a natureza de forma apaixonante.
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Neste dia era necessário
avançar mar a dentro, cerca de 200m.(entre os pontos
vermelhos).
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Por outro lado, a vantagem de não
ser preciso adquirir iscos naturais é mais um aliciante, pois
a qualquer momento e em qualquer local (desde que tenhamos o
equipamento apropriado no porta-bagagens) podemos ir pescar e
esquecer o “stress”. Mesmo em zonas rochosas, o
corrico é uma técnica que produz bons resultados. Na serra
do bouro, por exemplo, existem muitos pescadores das aldeias
vizinhas que descem a serra e percorrem vários kilómetros ao
longo do litoral rochoso à procura do robalo.

......................................................................Os
resultados podem ser os melhores.
Pedro
Mandana Silva.........
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