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A
Historia do Anzol.
O
anzol pré-histórico.
A
superioridade do homem na natureza pode ser atribuída a
nossa capacidade de desenvolver e utilizar instrumentos
e a tecnologia na nossa luta pela sobrevivência.
Apresentamos aqui um pequeno apanhado da historia do
desenvolvimento do anzol.
Ninguém é capaz de precisar há quanto tempo os vários
tipos de anzol são utilizados, mas é muito provável
que o homem de Cro-Magnon, que surgiu a aproximadamente
30 a 40.000 anos, tenha usado anzóis na sua luta pela
sobrevivência. Os primeiros tipos de anzol conhecidos
foram feitos de materiais diversos. O maior problema
para os arqueólogos, tentando estabelecer os factos
históricos sobre anzóis, é que os materiais
utilizados não eram muito duráveis. Acredita-se que os
primeiros anzóis utilizados pelo homem primitivo foram
feitos de madeira.
Se você pegar num galho com ramos que sobressaiam nos
ângulos convenientes, faltará muito pouco para
transformá-lo num anzol razoavelmente bom. Um anzol
feito a partir de um galho de um arbusto espinhoso pode
ser tão agudo como os anzóis modernos. Outros
materiais que se sabe terem sido empregados no
fabrico de anzóis, são as conchas, ossos e chifres .
Nativos americanos usaram ,entre outras coisas, as
garras e bicos de águias e falcões para fazer anzóis.
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Gravura
que retracta uma cena de pesca, encontrada numa
caverna em Bohuslãn na Suécia. |
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Uma
figura com conotação religiosa dos índios da costa do
Peru. Esta figura que retracta um barco de pesca com a cabeça de
um dragão , faz parte da decoração de uma cerâmica
do período Mohica que representa um deus superior
lutando contra os demónios do mar.(v.
Hagen, The Desert Kingdoms of Peru, London, 1965).
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Muitas
pessoas acham que o uso de anzóis feitos de madeira
seria pouco eficas. Como a madeira flutua, o anzol
provavelmente teria que ser preso a uma pedra ou algo
pesado que o fizesse afundar. Mas seria um erro
julgar que o peixe não ferraria um anzol flutuante,
afinal não pescamos com bóias e iscas artificiais?
É um facto que alguns pescadores consideravam anzóis flutuantes
como uma vantagem. Até o final do século dezanove
anzóis de madeira eram utilizados em Lofoten, ao norte
da Noruega. Eles faziam os seus anzóis com uma
variedade resistente de madeira (juniper) que era
queimada para a deixar ainda mais forte. Ainda nos anos
60, pescadores suecos utilizavam esses anzóis, eles
descobriram que na verdade o cheiro da madeira atraia o
pescado.
É um facto que alguns pescadores consideravam anzóis flutuantes
como uma vantagem.Até o final do século dezanove
anzóis de madeira eram utilizados em Lofoten, ao norte
da Noruega. |
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Um tipo
de anzol utilizado por pescadores em Småland, Suécia,
e o método que eles usavam para o fixar . Somente uma
das três pontas ficava fora da isca e servia como
arpão quando era engolido pelo peixe. (Ilustração do
The Norwegian magazine "Fiskesport", 1957).
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Eles faziam os
seus anzóis com uma variedade resistente de madeira (juniper)
que era queimada para a deixar ainda mais forte. Ainda nos
anos 60, pescadores suecos utilizavam esses anzóis, eles
descobriram que na verdade o cheiro da madeira atraia o
pescado.
O
homem da idade da pedra tinha bons instrumentos para
fazer anzóis de osso, extremamente finos. A razão
de não se poder precisar a época em que os anzóis
de osso começaram a ser utilizados, prende-se com
o facto de que os ossos são um material que
raramente desafia o passar dos anos. Somente em condições
excepcionalmente favoráveis, como um solo calcário,
pode conservar os ossos durante milhares de anos.
Os anzóis mais antigos parecem ser os que foram
encontrados na Checoeslovaquia numa escavação
onde foram descobertos vários esqueletos que datam do
final do período paleolítico*.
Também
foram encontrados anzóis antigos em escavações no
Egipto e Palestina. O mais antigo encontrado na
Palestina tem aproximadamente 9.000 anos. |
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Um anzol
feito com osso de alce na actual Dinamarca,
fabricado aproximadamente em 6.200 A.C. |

Pescadores
Etruscos 510 A.C.
(Reproduced from a drawing in a FAO dissertation by R. Kreuzer,
Fish and its Place in Culture, 1973).
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Na
Noruega, os anzóis mais antigos foram desenterrados em
"Vistehulene", em cavernas situadas em Jæren
próximo de Stavanger no sudoeste da Noruega. Estes anzóis
acredita-se ter entre 7 a 8.000 anos. Esta foi a
descoberta mais importante feita na Noruega, nas escavações
foram encontrados instrumentos e equipamentos de caça e
pesca. Os anzóis encontrados demonstram uma fantástica
habilidade em trabalhos manuais. |
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Quarenta
e três anzóis e vários fragmentos foram encontrados
nas cavernas de Vistehulene em Jæren ao sudoeste da
Noruega. O mais antigo tem cerca de 7.000 anos.
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Três
tipos de anzol encontrados em Skipshelleren, próximo da
cidade de Bergen na Noruega ocidental .
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Anzol encontrado
na ilha de Páscoa feito provavelmente com ossos
humanos.
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Um anzol
composto encontrado em Volosova, Russia.
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Nenhum
outro anzol pode disputar beleza com este . Ele foi
encontrado em Jortveit em Eide, no condado de Aust-Agder,
na Noruega, e calcula-se que tenha 4.000 anos.
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Um anzol
japonês feito com chifre de rena.
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O
exemplo mais mórbido de material usado para fabricar anzóis,
pode ser encontrado na Ilha de Páscoa. Como não existiam
grandes mamíferos nesta ilha, não se encontravam ossos,
o costume adoptado foi o de fazer anzóis com ossos humanos.
Quando os missionários chegaram a ilha encontraram um
grande suprimento de ossos humanos resultantes de sacrifícios.
Além de anzóis feitos de uma única peça de madeira, pedra
ou osso, o homem da idade da pedra também fez anzóis
compostos, combinando diferentes materiais que eram
amarrados.Anzóis compostos eram mais fortes que os outros. A
principal caracteristica dos anzóis mais antigos é que
não possuíam arpão ou qualquer outro tipo de refinamento
Os
antigos anzóis encontrados na Dinamarca e Noruega indicam que
somente após centenas de anos eles passaram a ter arpão e
entalhes ou perfurações para facilitar a amarração na
linha de pesca.
O
Anzol de Bronze
Estima-se
que o cobre começou a ser usado por volta do ano
4.000 AC, seguindo-se daí o desenvolvimento gradual do uso do
bronze. Entre as civilizações mais antigas, onde o cobre foi
utilizado, estavam aquelas ao longo das margens dos rios
Eufrates e Tigre, rios de abundante pescado e grande volume de
água. Numerosas descobertas tem sido feitas na área dos anzóis
de cobre que são centenas de anos mais antigos que a Mesopotamia
de Abraão (cerca de 1.800 A.C). Creta e reconhecida pelos
pesquisadores como uma região rica em descobertas de anzóis
de bronze, seguida de perto pela Itália. Os anzóis de bronze
que foram desenterrados em Pompéia e Herculano são muito
bonitos e sem dúvida obras primas de artesanato.
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Sobre
o umbral da antiguidade clássica, a cultura de
peixes começou a assumir as formas como as que
conhecemos hoje. Na Mesopotâmia antiga já conheciam a
arte de criação de peixes em viveiros. O pescado
oferecido a venda era seco, salgado ou defumado. A
industria pesqueira comercial desenvolvida em todas as
partes do Oriente Médio e nos países do mediterrâneo.
Na Idade de ouro do Império Romano, o comércio de
peixe salgado era responsável por uma parte considerável
do tráfego de barcos entre o porto romano e o porto de
Ostia. Os epicuristas da época, que eram os adoradores
dos prazeres da mesa e do amor, eram especialistas na
preparação de delicados pratos a base de peixe. Eles
construíram cisternas absurdamente caras para manter
variedades nobres de peixe vivo.
Gradualmente, uma distinção mais clara começou
a ser feita entre os que utilizavam a pesca como um
desporto e a pesca como um sustento. Num quadro
(gravura) de um pescador obviamente um homem rico de
Tebas (provavelmente ao redor de 1.400 AC) um insecto
parecido com uma borboleta foi desenhado com
claridade simbólica deixando a suspeita que a pesca com
mosca havia começado. O Imperador Augustus e Trajam
estavam entre os pescadores aficionados de Roma.

Nesta
imagem os pescadores egípcios usam já canas (de
madeira) com linhas, aproximadamente 2.000 A.C. (de P.
E. Newsberry, Ben Hasan).
A
transição da madeira, da concha e do osso para o
bronze, o ferro e o aço não ocorreu sem consequências.
Os velhos tipos básicos de anzóis não se repetem, mas
de agora em diante as formas são feitas com maior
liberdade, dependendo em parte do modo como o metal é
trabalhado. Anzóis de ferro eram no inicio maiores que
os anzóis de bronze, um desenvolvimento natural porque
os barcos eram fortes e podiam ser melhor utilizados em
mar aberto. Pescadores noruegueses aventuravam-se
bem longe mar a dentro, desde a Idade da Pedra.
O
fabrico de anzóis foi gradualmente ficando
restrito a especialistas. O descobrimento de
instrumentos em túmulos funerários revela que
mesmo antes dos Vikings o trabalho em ferro de maior
precisão era feito pelos ferreiros profissionais.
Naturalmente havia ainda muitos anzóis caseiros. De
fato, os povos de áreas remotas continuam a fazer os
seus próprios anzóis até aos dias de hoje. Mas
isto é raro, e como nos séculos passados, o pescador
comercial tende a deixar o trabalho de fazer bons anzóis
aos ferreiros profissionais. |
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Enquanto
o cobre e o bronze eram utilizados no Oriente Médio os
países do norte continuavam na Idade da Pedra.

Um anzol
de cobre do Vale Indus.

Dois anzóis
de cobre da Mesopotâmia, o mais antigo data de 2600 A.C,
encontrado em Ur (de Armas Salonen, Die Fischerei im
Alten Mesopotamien, la Academia de Ciencia, Helsinki,
1970).

Um anzol
de bronze de uma tumba Rhodos da civilização
Mycenean aproximadamente 1.400 A.C. (Museu britânico,
Londres).
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O
Anzol de Aço
No
inicio os homens da Idade do Ferro já estavam familiarizados
com a arte de fazer aço de ferro fundido. Mas nem todo o
ferro pode ser convertido em aço. O aço de boa qualidade era
escasso. Antes da Idade Média, e mesmo muito tempo
depois, a qualidade do aço era muito desigual e o bom era
também muito caro.
Realmente
ninguém sabe quando foi que os profissionais começaram
a trabalhar com o aço de boa qualidade. Segundo a literatura
britânica de pesca com cana de madeira, haviam fabricantes de
anzóis ou pelo menos excelentes profissionais por volta
do ano 1600.

O
anzol á esquerda foi encontrado durante a escavação do
barco viking Gokstad no condado de Vestfold, Noruega (no
século X). O anzol mal conservado a direita é um dos
anzóis de Risoya região ao sul da Noruega (possivelmente do
século VII). Todos os anzóis encontrados em Risoya eram de
olhal.
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