| Pesca á bóia na costa vicentina. |
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A Costa
Vicentina é talvez ainda um dos últimos paraísos para a
pesca em Portugal. Só de se ouvir este nome associamo-lo
imediatamente aos fabulosos pesqueiros de Sagres e da
Carrapateira, trazendo-nos à memória as histórias de grandes
pescarias de sargos e robalos de grande porte. Infelizmente
também nos lembramos logo das histórias de acidentes
sofridos por pescadores, quase sempre, fatais.De facto,
ambas as lembranças são reais, é um local onde ainda se
fazem grandes pescarias (embora cada vez menos) e também é
verdade que todos os anos aquelas falésias roubam a vida a
cerca de uma dezena de pescadores desportivos.
Como já
perceberam pelo que acima foi dito o local não é para
brincadeiras por isso, toca a arranjar material a condizer,
pois não vamos pescar em molhes ou pontões a 2 metros da
água.
A montagem
– Por aqui ninguém pesca directo, utiliza-se sempre estralho
para a montagem ficando a bóia e chumbada (se usarmos a bóia
de pião) fixas na madre. A madre normalmente é em
monofilamento 0,40 ou 0,45 mm, sendo o estralho, no mínimo
do comprimento da cana, normalmente em monofilamento 0,22 ou
0,25 mm de boa qualidade. Não se usam chumbos fendidos no
estralho, apenas uma chumbadinha de correr tipo olivette de
3 a 5 ou mesmo 8 grs. para ajudar a afundar a iscada
rapidamente.
Os iscos – Os iscos de eleição para a pesca à bóia reduzem-se apenas a 3, mas estes são quase obrigatórios: A sardinha para engodar e iscar com o filete do rabo ou o lombo, a gamba/camarão da costa fresca ou congelada e o célebre ralo, este último é realmente o tira-teimas com águas mais claras
Os apetrechos
– Porque a zona não é para brincadeiras, convém que nos
equipemos a condizer, roupa confortável e folgada de forma a
permitir liberdade de movimentos, calçado (muito importante)
que “agarre” facilmente a rocha, nada de sapatilhas, botas
de campino com sola macia, daquelas do mercado.
Os pesqueiros – Aqui é que a porca torce o rabo como se diria em gíria popular, vamos ter que distinguir 3 tipos de pescadores: 1. Os que vão à pesca passar um bocado bem passado em contacto com a natureza mas que não descuram o seu conforto e procuram pesqueiros acessíveis e abrigados; 2. Os que querem apanhar peixe não se importando com as condições climatéricas adversas nem com o seu conforto pessoal, apenas procurando arranjar um pesqueiro que dê peixe, mas nunca ultrapassando os limites do razoável pois não há peixe que valha uma vida. 3. Temos ainda o 3.º tipo de pescadores, os “loucos” das falésias, que munidos de cordas e carregados com todo o equipamento desafiam as falésias e pescam em locais onde mal cabe um balde e onde o mínimo descuido pode ser desastroso.
Enfim, a
conversa já vai longa e aqui o pescador, tipo 2, tem que ir
preparar o material para mais uma jornada de pesca.
António Ferreira
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Texto e Fotos: António Ferreira |
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