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Uma
Pescaria em águas Espanholas.
Como
combinado às
6:15 lá estávamos na marina de Vila Real de Santo António
para uma pescaria de barco com o “mestre” Falcão.
O grupo era constítuido por sete pescadores, três dos quais
pertencem ao pesca@pt: o Gibelino Encarnação, o Mário
Rodrigues e eu próprio, Fernando Corvelo. A malta estava toda
bem disposta e preparada para grandes capturas de bicas e
pargos.
Durante
a viagem para Vila Real, tinha comentado com o Gibelino que o
meu objectivo era apanhar um sargo veado, tendo ele retorquido
que também gostava, mas que andavam muito escassos, pois já
nao apanhava um há mais de dois anos. Obviamente, o Mário
também se aliou a este sonho de pescador querendo o seu.
Saímos
e rumamos a um pesqueiro já em águas de “nuestros hermanos”,
aproveitando o prazer de navegar num mar calmo e de observar
um começo de dia muito bonito. Um aspecto que impressiona
naquelas águas é o enorme (mas muito grande mesmo) número
de boias de sinalização de artes pesqueiras. Dava a ideia de
navegarmos numa floresta de boias!
Chegados
ao pesqueiro, as pescas começaram a descer para um fundo de
cerca de 20 mts, estando as águas muito calmas permitindo
pescar com chumbadas de 80 grs sem qualquer problema. Como as
águas estavam muito lusas a aposta teria de ser feita nas
montagens e nas linhas utilizadas. Este era mesmo um aspecto
fundamental para se ter bons resultados. Que o diga o azarado
Mário que passou toda a manha aos papeis.
A
pesca começou calma, mas de repente os ralos começaram a
produzir os seus efeitos e as ponteiras das canas começaram a
vergar, trazendo para cima umas bicas de bom porte, tendo eu a
sorte de apanhar um parguete já razoável, que deu um
excelente assado no forno. Ao mesmo tempo, um dos companheiros
de pescaria, o Carlos “alentejano” ia carregando de bicas
e boas safias à proa, estando como se diz no ténis com “a
mão quente”.
Entretanto
sinto um toque fantástico e começo a recuperar, ouvindo o
delicioso ruído produzido pela embraigem do carreto a deixar
sair linha perante as fortes investidas do meu oponente.
Quando finalmente o vi, nao pude deixar de exclamar com
alegria: “É um sargo veado!”. De facto era um bom sargo
veado a rondar o quilo que me deixou nas nuvens. Tinha
concretizado um dos meus sonhos de pescador, conseguindo um
dos mais apetecidos troféus da pesca de barco e logo ao começo
do dia.
Enquanto
isso, o Gibelino, ia ao meu lado, tirando as suas bicas e
safias com a sua habitual mestria de grande pescador. O Mário,
pescando tambem ao meu lado, desesperava por nao conseguir
ferrar peixe bom, limitando o seu score a uma safia e a uma
bica de quilo. Pouco tempo depois, um outro companheiro iça
mais um sargo veado, que teve o condão de se fazer de
“morto” a meio da subida levando o pescador a dizer que o
tinha perdido... De resto, continuavam a sair boas bicas,
safias, choupas e outros peixes menores.
Como
o peixe começou a escassear decidimos mudar de pesqueiro (em
má hora o fizemos) e lá sondámos à procura dos nossos
amigos enquanto ao mesmo tempo iamos enchendo o estomago com
umas belas sandes regadas com um excelente vinho verde trazido
por um companheiro nortenho que tinha uma técnica especial de
recolher o peixe para dentro do barco...que o diga o Mário
que levou com uma bica na cabeça! Foi uma risada enorme e
como o grupo tinha alguns elementos que se estavam a iniciar
qualquer captura era recebida com grande alegria.
As
horas iam correndo e, mal nós sabiamos que ainda iamos ter
umas belas surpresas, especialmente em termos de capturas. O
“pobre” Mário continuava a dizer mal da sua sorte e nós
para o animarmos a dizer que ainda seria ele a apanhar o maior
exemplar.
Entretanto,
com a diminuição dos toques começam as surpresas. Eu ferro
uma bela ferreira, que nao é um peixe muito comum na pesca
embarcada. Pouco tempo depois sinto mais um toque e quando me
preparo para recolher pura e simplesmente o peixe nao
subia...abri a embraiagem (com os conselhos e ajuda do mestre
Gibelino) e fui recuperando, sempre a manivelar e indo
fechando a embraiagem progressivamente sempre que sentia
alguma cedência do peixe, que entretanto, ia correndo ao
longo do barco o que obrigou a que quase todos tivessem que
puxar as pescas para cima. Quando finalmente o vimos à tona
da água apercebemo-nos que era uma bonita raia que marcou na
balança 2.5 kg e que acabou por ficar como o maior exemplar.
Mas,
as surpresas ainda nao tinham acabado. O Mário depois de
mudar para uma montagem milagrosa do Gibelino, ferrou um peixe
e eu fui ajudar com o xalavar. Quando vi o peixe qual nao foi
o meu espanto perante a captura: um robalo! Isso mesmo um
robalo. Um dos mestres dizia depois ao fim da tarde, quando
comentavamos isso no cafe, que em 30 anos de mar nunca tal
tinha visto. Foi um dia em que o peixe estava completamente
louco.
Ao
mesmo tempo na proa o Carlos tirava um agulha com cerca de 1
mt e pouco tempo depois um espectacular exemplar de rascaço,
que tinha certamente muito perto de 1.5 kg. O Gibelino começou
entretanto a ferrar sargos legítimos, mais uma espécie nao
muito comum de apanhar de barco nas águas algarvias...ficamos
todos espantados e ele próprio dizia que com estralhos tao
pequenos nao era normal apanhar os sargos (não fosse ele o
homem dos estralhos longos).
Como
as muxarras começaram a invadir o pesqueiro tivemos de
procurar outras águas e escolhemos um fundo que marcava
imenso peixe na sonda. Ao primeiro lance o Gibelino içou 3
bons besugos para cima, eu saquei 2 e o mário outros 2, o
mesmo acontecendo com os restantes companheiros. Foram
momentos de grande azáfama pesqueira mas que duraram pouco.
Com estes besugos “técnicos” o Mário pescou a sério,
conseguindo um bom número deles. Entretanto o Gibelino apanha
mais um sargo veado, por acaso o maior dos três que sairam, e
logo veio à memoria a conversa que tinhamos tido de manhã no
carro.
Como
ainda nao tinham acabado as surpresas o Mário fez a pesca
mais anormal do dia, apanhando a espécie mais incomum, ou
seja, pescou meia faneca... a pobre desgraça levou uma
dentada daquele que seria, certamente, o maior exemplar do
dia. Foi uma imagem algo impressionante.
As
muxarras nao nos largavam e nao davam tempo ao peixe grande,
que estava nos pesqueiros, para ferrar e assim por volta das
16:30 rumamos a terra com o prazer de um dia muito bem
passado, com enorme alegria, camaradagem e com peixe de
qualidade. Foi uma daquelas jornadas de pesca para recordar
por todas as peripécias que aconteceram. Aqui o vosso escriba
deve ter batido o recorde de espécies diferentes capturadas:
bica, sargo legítimo, sargo veado, pargo, ferreira, safia,
choupa, polvo, raia, rascaço, cavala, muxarra, corva e beusgo.
14 espécies ao todo!
Fernando
Corvelo.
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