Crónica de umas Ferias na Manta Rota.

Em finais de Agosto inicio de Setembro de 2004, fui de férias até ao Algarve na companhia da família, Tavira, com muito sol, muito vento......, pela tarde, e pouco peixe ou quase nenhum, eu fiquei em branco. Tomei a liberdade de escrever estas linhas para levar até vós alguns dos bons momentos porque passei. À praia que habitualmente frequento, na Manta Rota, os pescadores desportivos chegaram numa manhã de Domingo, 05 de Setembro, digamos que eram membros da recém formada “Associação de Pescadores da Manta Rota”, porque eram identificados  pelos coletes com o logotipo da dita associação, abeirei-me de um dos membros , o Valter, com quem conversei, que me disse estarem a treinar.
Obtive algumas informações sobre a espessura das linha que utilizam para pescar, tinha no carreto 0,18 e na ponteira 0,30, chumbada redonda para sentir bem o toque, como particularidade usam no estralho umas bolinhas de esferovite com cerca de 0,5 mm, que faz subir a isca para a meia água, na revista “O Mundo da Pesca” foi referenciada á tempos esta técnica.
O isco mais utilizado era a sardinha, o lingueirão, grilo, casulo, minhoca do lodo, etc. Nesse dia vi sair umas cavalas, e mais não vi.
No dia seguinte a maré-cheia era cerca das 20 horas, resolvi pegar no saco do material e nas canas, levando como isco camarão e coreano, era o que havia, mas tive logo o pressentimento de que não ia dar nada, os meus acompanhantes não iram parar muito tempo na praia, porque estava um raio de um vento de oeste/noroeste que alisava a areia, a cana depois de instalada no suporte ostentava uma apreciável inclinação lateral. Pelas 18 horas toca a bater em retirada porque as reclamações eram muitas. Pude no entanto analisar nestes dias que a instabilidade do vento nesta região era grande, pela manhã soprava de este/nordeste, virando progressivamente para sul até se posicionar pela tarde de oeste/noroeste, para com o cair da noite amainar ou mesmo desaparecer , portanto bom para a pesca continua lá como cá a noite.
Fui, como não podia deixar de acontecer, na Terça visitar e banhar-me na praia da ilha de Tavira, apanhamos o barco no cais que se localiza junto á lota. Pude durante a viagem apreciar todo o percurso do rio Gilão, com óptimos pesqueiros, dos quais realço o da praia fluvial do Forte do Rato, digamos que até aportar-mos na ilha encontramos além da beleza natural muitos pescadores nas margens praticando o nosso desporto favorito. Na manhã de Quarta, voltei a ir carregado para a praia, mas de manhã para fugir ao vento, já lá estavam alguns pescadores, montei a minha velhinha cana Vega Nevada de 5 metros, adicionei-lhe o meu velhíssimo Mitchel 4470 carregado com 0,30, protegido por uma ponteira de 15 metros de 0,45, completei o adereço com um aparelho 0,45, tendo dois estranhos de 0,20, enfeitei os anzóis com camarão e coreano e projectei a chumbada redonda de 100 grs. para além das ondas. Esperei...., esperei..... mas como não sentisse nada tirei todo este adereço e vi que por ali não andava peixe porque o isco vinha intacto. Mas, teimei...... até á uma da tarde, que foi o prazo dado pela família para abalarmos para o almoço. Continuei a ir á praia, de manhã, e pude constatar que a recolha de bivalve quer pelos barcos, que se aproximam muito da praia durante a maré vazia e a praticada pelos marisqueiros é muito intensiva. Mas o que mais me chamou a atenção foi a proximidade dos barcos em relação ás zonas de banho, será que não existe uma distância mínima de aproximação a terra? Outra falta que dei conta foi a de autoridades marítimas, a não ser na ilha de Tavira, e foi para implicar com a miudagem por causa de uma bola.
Como todas as manhãs percorria a praia no sentido do Oeste, em direcção a Vila Velha de Cacela, até uma curva da praia que, fica fronteiriça ao Castelo da Vila, pude ir conhecendo com maior  precisão as condições que a mesma apresenta quer na maré-vazia quer na maré-cheia. È durante a maré-vazia que os marisqueiros efectuam a recolha dos bivalves ao longo da praia, quer as embarcações marisqueiras quer os mariscadores que entram na água pela praia e pescam a poucos metros da rebentação. Ora esses mesmos mariscadores provocam um revolver do fundo arenoso, que vem alterar as condições naturais da praia podendo ser ou não benéficas para a pesca de “surfcasting” ou de “spinning” ou outras quaisquer outras formas de pesca desportiva. Pareceu-me que aquela curva frente ao castelo será excelente para se apanhar um qualquer peixe que por lá passe e esteja esfomeado. Resta acrescentar que todo este percurso que eu efectuava diariamente está sulcado de cascas, arrastadas pelas ondas para a zona de maré, dos mais variados tipos de bivalves, como devem imaginar vínhamos no regresso carregados de cascas de estimação.
No regresso de umas das minhas incursões á praia, rumei á praia fluvial de Lacem, praia fluvial que se situa a poucos quilómetros  de Tavira na direcção de Vila Nova de Cacela, tem bom aspecto tanto para a apanha de bivalves como para a pesca, está referenciada por edital como praia com qualidade de água para banhos, Podendo alcançar-se, na maré vazia, com alguma facilidade a duna que protege a ria do mar e pescar-se para no mar. O ultimo peixe que vi tirar na praia da Manta Rota, no Sábado, foi um robalote, morreu ali mesmo por ser glutão e ter engolido a isca e o anzol, teve assim de proceder-se á operação de barriga aberta para a retirada de tal acessório, pois o pescador não tinha mais nenhum estralho disponível.
Nessa mesma manhã ocorreu nova situação interessante ........, quando vinha a sair da praia, perto das 13 horas, ouvi um barulho de barco e, lá me ocorreu que seria mais um barco de pesca na recolha de bivalves mas, visão das visões era um barco de guerra que qual saído das brumas, que não existiam, patrulhava a costa .......... mas, barcos de pesca não existiam no horizonte.

Resta dizer que neste mesmo sábado, 11 de Setembro, pela 16 horas, rumei a Sintra dando como concluído mais um ciclo de férias, e na Segunda foi o regresso ao trabalho.

 

José Cavalheiro

Enviado  a 18-11-04.