1ª Fishing trip Pesca@pt


Data
: 11 e 12  de Outubro de 2003

Local: Algarve - Ilha do farol de Stª Maria.

Fishing Trip -  Ilha do Farol
Uma aventura inesquecivel.

Enquanto esta 1ª Fishing Trip ia sendo organizada, muitas foram as vezes que se referiu a aventura como sendo um dos principais ingredientes deste evento, mas certamente nenhum de  nós pensou que iria ser tão emocionante.
Como estava combinado o pessoal reuniu-se no Sábado dia 12 em Olhão, ás 9h. Como participantes nesta aventura tivemos, Os nosso amigos de Matosinhos, Silva  e Abel, de Lisboa o António Gonçalves , Hugo , Rui, António Valadas e Pedro Vieira, de Lagos os amigos Paulo João , Brás, e o Tiago de apenas 11 anos.
Abastecemos as geleiras e ás 11 horas estávamos e entrar no barco que nos iria levar até á ilha. O tempo estava bastante encoberto e durante a viagem de barco chegou mesmo a chover.
Pusemos os pés na ilha e fomos premiados com umas chuvinha de boas vindas, mas nada de preocupante. Procurámos um local para montar o nosso “Quartel general” , e o sitio escolhido ficava bem de frente para os pesqueiros  que ansiávamos explorar. Decidimos montar apenas uma tenda para colocar o material, e para quem quisesse dormir umas horas achamos melhor dormir ao relento debaixo do alpendre de alguma das casas da ilha. Já sem chuva mas com um vento forte e o céu bastante carregado lá fomos até á ponta do molhe tentar a sorte. A maré estava a encher e depressa as ondas começaram a galgar a ponta do molhe, acompanhadas por um vento cada vez mais forte. Recuámos uns metros no molhe, onde apenas saiam sarguetas.


Mais uma vez o mar obrigou-nos a recuar, e desta vez fomos mesmo obrigados a abandonar o local, fazendo uma saída apressada por entre as várias ondas que galgavam agora todo o molhe. Tentamos outro local já mais resguardado mas o peixe parecia pressentir o que se viria a passar horas mais tarde. Não havia peixe!
Lá achamos um divertimento que deu para irmos esquecendo a frustração pelas más condições do tempo, que agora eram de sol, mas com o vento sempre forte, Fomos brincando com alguns peixe-agulha que nos fizeram companhia. A meio da tarde fomos experimentar o papagaio que o António levou para tentarmos ensaiar uma espécie de “Kite fishing”, valeram umas belas gargalhadas.

 


O lançamento.

O Voo.

Passagem razante.
Entretanto fomos ficando por ali e de vez em quando até saíram umas choupas ,  uns sargos médios e tainhas que devolvemos á agua. Ás 19 horas foram embora no ultimo barco os participantes que não iriam passar a noite connosco, ficando apenas o Silva, o António, o Abel, o Hugo e o Pedro.
Começou a anoitecer e as nuvens carregadas que se viam ao longe prometiam uma noite molhada. Preparados para a noite  lá continuamos a nossa pescaria que cada vez mais se transformara  numa tertúlia de amigos, devido á pouca acção, apesar do amigo Silva ter pescado um rascasso bem grande e um polvo de +/- 500 gm, ambos devolvidos ao mar. Por volta das 20h começaram a ser visíveis relâmpagos que foram aparecendo a toda a volta da ilha. As nuvens ao longe eram cada vez mais negras e baixas, mas curiosamente bem por cima da ilha o céu estava estrelado, o vento acalmara e a noite até estava agradável. Fomos varias vezes comentando  a grande tempestade que circundava a ilha, e nós ali a olhar o farol com a lua cheia e as estrelas como fundo.
Entretanto o Hugo foi descansar um pouco na tenda do material, e por volta das 22:30 horas , os resistentes foram compensados, chegou o primeiro peixe ,de todo o dia, digno desse nome ,  um Safio com cerca de 1,50 / 2 kg ,  A malta animou-se e preparou  o material para o Safio. Nos minutos seguintes as ferradelas foram muitas e os estralhos de aço rebentados também, e  todos conseguiram sacar uns Safios. Por volta das 11:30 começaram a cair as primeiras gotas de chuva, e logo se improvisou uma tenda, com um plástico grande uma cana semiaberta servir de pilar central,  e  alguns barris de cerveja vazios , do restaurante da ilha, seguravam as pontas.  A chuva começou a cair mais forte e fomos ficando abrigados na nossa “tenda”. Ouviram-se comentários como “Este é o espirito fishing trip!”, mas sabíamos ainda o que estava para vir.  

Em seguida a trovoada aproximou-se e ai decidimos abandonar aquele local e procurar abrigo nos alpendres das casas. Aproveitámos uma pequena paragem na chuva e desatamos a arrumar as coisas e a correr pelo descampado . Esta altura dava uma excelente foto com o titulo  “O que não se deve fazer”, é que a trovoada era cada vez maior e lá ia o António com umas quantas canas de carbono ás costas (prestes a transformar-se num carrinho de choques lol), e o Pedro com outra na mão, os 2 a correr desalmadamente. No meio desta corrida,  o Anzol para Safio da cana do Pedro ferrou-se nas calças do António , o que veio ainda dificultar mais as coisas. Estávamos nós debaixo do alpendre e encostados  á parede de uma das casas, protegidos da chuva  ainda a recompor-nos da corrida e da chuvada, quando de súbito o vento que vinha de Sueste e que permitia estarmos ali abrigados rodou repentinamente para Norte/Noroeste e ganhou uma força devastadora.

Ali estávamos nós estupefactos encostados á parede a sermos fustigados por ventos fortíssimos que rodavam constantemente ,uma chuva gelada diluviana e como se não bastasse os relâmpagos sucessivos que faziam da noite dia. O 1º impulso foi utilizar 2 velhos frigoríficos que estavam encostados á parede, como “escudo” para o vento, mas de nada serviu pois o vento trazia a chuva de todos os lados, e na horizontal. O Silva chegou mesmo a colocar-se parcialmente dentro do frigorifico. Ali ficamos nós durante uns 5 minutos, ainda  a tentar assimilar o que se estava a passar... imóveis e encolhidos entre a parede e o frigorifico  e a pensar como devíamos reagir. Uma coisa é certa todos tínhamos a certeza que estávamos perante algo realmente poderoso, e anormal.
Alguém reagiu e procurou achar abrigo na correnteza de casas. Sorte, um das portas estava aberta, entramos para dentro da casa que tinha aspecto de não ser habitada, apesar dos vários objectos armazenados. Estávamos finalmente abrigados da chuva. Olhando para fora era possível ver alguns raios caindo dentro de agua. Nós estávamos a salvo mas não esquecíamos o Hugo que sabíamos estava na tenda, que pelo que vimos tínhamos a certeza que estaria exposta á chuva e vento. Fomos obrigados a uma espera de aproximadamente 2 horas até que o tempo acalmasse por completo, ao ponto de não correr uma brisa de vento. Lá fomos encontrar o Hugo junto á tenda, que mais parecia uma piscina. Ficamos a saber que o Hugo viveu tudo aquilo dentro da tenda, sentado em cima de uma geleira e com os braços a segurar a armação. A parte da frente da tenda, que era a mais exposta chegava a ficar “colada” á sua cara. Lá fomos tirar as mochilas completamente ensopadas, roupas, saco-camas, tudo encharcado.

Estávamos ainda a ver os “prejuízos” quando alguém nos ofereceu uma casa para podermos passar o resto da noite e tentar dormir umas horas. Desmontamos a tenda e  lá fomos com a tralha toda ás costas até á casa onde encontramos 3 camas de casal (uma delas ocupada por um gato) e uma cama mais pequena. Lá nos organizamos e dormimos menos de 4 horas até ás 7h, pois já tínhamos decidido que não havia condições para ali continuarmos, e iríamos abandonar a ilha no 1º barco, que pensávamos sairia ás 7:45. A meio da noite fui acordado por um violento combate entre o António , que dormia ao meu lado, e uma anchova de 10 kg de que ele tanto falara. Acordei-o para que se acalmasse.
Quando vamos a caminho do barco vemos as pessoas a chegar , e dizem-nos que o barco já partira... agora só ás 12:45!
Mais uma vez ficamos desolados... lá fomos tomar o pequeno almoço e tentar saber o Nº de telefone do “Ria Taxi”, para voltarmos depressa. Incrível, ninguém sabia o numero, e o único que tínhamos , ninguém atendia.
Lá ficamos á espera aproveitando o forte sol que brilhava como se nada se tivesse passado na noite anterior. O vento era tão fraco que nem para lançar o papagaio dava. Finalmente lá apareceu o “Ria Taxi” que nos levou para Olhão, carregámos os carros e fizemo-nos á estrada.

Só para terminar devo dizer que é muito dificil descrever o que passámos, mas acredito que daqui a uns anos não nos vamos lembrar se apanhamos peixe ou não... mas o resto vai ficar gravado para sempre.

 

Pedro Vieira

 

Texto e Fotos de: Pedro Vieira