| 1ª Fishing trip Pesca@pt | |||||||
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Fishing
Trip - Ilha do
Farol
Começou a anoitecer e as nuvens carregadas que se viam ao longe prometiam uma noite molhada. Preparados para a noite lá continuamos a nossa pescaria que cada vez mais se transformara numa tertúlia de amigos, devido á pouca acção, apesar do amigo Silva ter pescado um rascasso bem grande e um polvo de +/- 500 gm, ambos devolvidos ao mar. Por volta das 20h começaram a ser visíveis relâmpagos que foram aparecendo a toda a volta da ilha. As nuvens ao longe eram cada vez mais negras e baixas, mas curiosamente bem por cima da ilha o céu estava estrelado, o vento acalmara e a noite até estava agradável. Fomos varias vezes comentando a grande tempestade que circundava a ilha, e nós ali a olhar o farol com a lua cheia e as estrelas como fundo. Entretanto o Hugo foi descansar um pouco na tenda do material, e por volta das 22:30 horas , os resistentes foram compensados, chegou o primeiro peixe ,de todo o dia, digno desse nome , um Safio com cerca de 1,50 / 2 kg , A malta animou-se e preparou o material para o Safio. Nos minutos seguintes as ferradelas foram muitas e os estralhos de aço rebentados também, e todos conseguiram sacar uns Safios. Por volta das 11:30 começaram a cair as primeiras gotas de chuva, e logo se improvisou uma tenda, com um plástico grande uma cana semiaberta servir de pilar central, e alguns barris de cerveja vazios , do restaurante da ilha, seguravam as pontas. A chuva começou a cair mais forte e fomos ficando abrigados na nossa “tenda”. Ouviram-se comentários como “Este é o espirito fishing trip!”, mas sabíamos ainda o que estava para vir. |
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Em
seguida a trovoada aproximou-se e ai decidimos abandonar
aquele local e procurar abrigo nos alpendres das casas.
Aproveitámos uma pequena paragem na chuva e desatamos a
arrumar as coisas e a correr pelo descampado . Esta altura
dava uma excelente foto com o titulo
“O que não se deve fazer”, é que a trovoada era
cada vez maior e lá ia o António com umas quantas canas de
carbono ás costas (prestes a transformar-se num carrinho de
choques lol), e o Pedro com outra na mão, os 2 a correr
desalmadamente. No meio desta corrida,
o Anzol para Safio da cana do Pedro ferrou-se nas calças
do António , o que veio ainda dificultar mais as coisas. |
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| Ali
estávamos nós estupefactos encostados á parede a sermos
fustigados por ventos fortíssimos que rodavam
constantemente ,uma chuva gelada diluviana e como se não
bastasse os relâmpagos sucessivos que faziam da noite dia.
O 1º impulso foi utilizar 2 velhos frigoríficos que
estavam encostados á parede, como “escudo” para o
vento, mas de nada serviu pois o vento trazia a chuva de
todos os lados, e na horizontal. O Silva chegou mesmo a
colocar-se parcialmente dentro do frigorifico. Ali ficamos nós
durante uns 5 minutos, ainda
a tentar assimilar o que se estava a passar... imóveis
e encolhidos entre a parede e o frigorifico
e a pensar como devíamos reagir. Uma coisa é certa
todos tínhamos a certeza que estávamos perante algo
realmente poderoso, e anormal. Alguém reagiu e procurou achar abrigo na correnteza de casas. Sorte, um das portas estava aberta, entramos para dentro da casa que tinha aspecto de não ser habitada, apesar dos vários objectos armazenados. Estávamos finalmente abrigados da chuva. Olhando para fora era possível ver alguns raios caindo dentro de agua. Nós estávamos a salvo mas não esquecíamos o Hugo que sabíamos estava na tenda, que pelo que vimos tínhamos a certeza que estaria exposta á chuva e vento. Fomos obrigados a uma espera de aproximadamente 2 horas até que o tempo acalmasse por completo, ao ponto de não correr uma brisa de vento. Lá fomos encontrar o Hugo junto á tenda, que mais parecia uma piscina. Ficamos a saber que o Hugo viveu tudo aquilo dentro da tenda, sentado em cima de uma geleira e com os braços a segurar a armação. A parte da frente da tenda, que era a mais exposta chegava a ficar “colada” á sua cara. Lá fomos tirar as mochilas completamente ensopadas, roupas, saco-camas, tudo encharcado. |
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Estávamos
ainda a ver os “prejuízos” quando alguém nos ofereceu
uma casa para podermos passar o resto da noite e tentar
dormir umas horas. Desmontamos a tenda e
lá fomos com a tralha toda ás costas até á casa
onde encontramos 3 camas de casal (uma delas ocupada por um
gato) e uma cama mais pequena. Lá nos organizamos e
dormimos menos de 4 horas até ás 7h, pois já tínhamos
decidido que não havia condições para ali continuarmos, e
iríamos abandonar a ilha no 1º barco, que pensávamos
sairia ás 7:45. A meio da noite fui acordado por um
violento combate entre o António , que dormia ao meu lado,
e uma anchova de 10 kg de que ele tanto falara. Acordei-o
para que se acalmasse. Só
para terminar devo dizer que é muito dificil descrever o
que passámos, mas acredito que daqui a uns anos não nos
vamos lembrar se apanhamos peixe ou não... mas o resto vai
ficar gravado para sempre. |
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Pedro Vieira
Texto e Fotos de: Pedro Vieira